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Texto Azul

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Texto Azul

Juliana dos Santos

(São Paulo, Brasil, 1987)

O azul quando eu senti, o profundo, era chacra, um abismo, um feixe de luz azul conectando com o topo da minha cabeça encontrando o universo.

 

O azul susto, o azul medo, entre os meus olhos. Ele nunca foi minha cor predileta, mas a maioria gosta, azul medo, azul minha vontade de ser, azul entranhas. O azul dos uniformes dos funcionários terceirizados, o cansaço. Azul também tem sido umas das experiências mais profundas e marcantes da minha vida. O azul do mar, azul do céu. O azul difícil, o azul intangível. Para alguns é cor clichê, mas a maioria gosta. O azul remédio, o amor. O primeiro azul sintético, o egípcio de 5.000 anos. Pode ser pedra, rocha, flor, borboleta, pássaro, fogo. A gente não come o azul, tão pouco o bebemos. A água do mar, quando mergulhamos a nossa mão, é translúcida, é cor profundidade. Muitas vezes o azul da água é roubado do azul do céu: o espelho, a ilusão. O azul da geladeira da minha vó. O azul impossível da nuvem que eu desenhava no jardim de infância. O azul da flor Clitoria Ternátea, em Tupi Guarani Cunhã. O azul dessa flor tão potente que cuida da nossa mente e que em lugares que eu não conheço faz as pessoas beberem e comerem azul com naturalidade. A caneta estourada no fundo da mochila, o azul da escola, azul da nota, o azul do tédio. O azul quase morte, o azul do Blues, o azul dos tecidos Adires Yorubás, o azul Kalunga, a Kalunga azul. Azul memória, azul cerúlio, o ultramar. Assim de que tão preto vira azul. O azul do blues, o azul bonito do reinado dos pretos do rosário, o azul de Minas, a travessia, o azul dos santos, o azul cantado, o azul dos mantos dos santos, o azul claro, o azul raro, o azul dor, azul rosado. A branquitude. O azul das veias e dos olhos. O azul da bota do Francisco, o azul não pode ser terra, o azul pode ser sonho, o azul encarnado, violeta, quase roxo. Azul transcendental, o azul real e que não me deixam esquecer, o azul cotidiano, o azul tédio, universo inverso. O veneno azul artificial, fogos de artifício, comprimido, azul cabeça, tudo azul, azul turvo, azul triste. O azul daquilo que não deixam e do que não me deixo esquecer.

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