MARGS

Terça a domingo, das 9h às 19h 

Última entrada: 18h

Praça da Alfândega, s/n - Centro Histórico



ARTISTAS:

AnaVitória | Letícia Monte | Carolyna Aguiar

AnaVitória | Letícia Monte | Carolyna Aguiar

A videoinstalação DSÍ-embodyment, dirigida por AnaVitória e Letícia Monte, propõe um mergulho nos estados inaugurais do corpo, em uma experiência que perpassa a energia pulsante da vida e da morte. A obra foi criada a partir da proposição A Estruturação do Self de Lygia Clark e do sistema de criação Memória autobiográfica de AnaVitória. O corpo performativo debate-se em uma constante luta de vir a ser o que é, desventrando-se em uma dança-luta-ritual curativa e imemorial. Em sua contínua encarnação, o corpo busca recuperar uma relação que se dá no pré-movimento e no pré-verbal, no sonho ou no sonhar acordado, nos quais trocas emocionais se dão em fluxos intensos de introjeções, projeções e reintrojeções. São histórias fragmentadas e sensações do vivido que conduzem à performatividade da memória autobiográfica da performer Carolyna Aguiar e à recuperação de seus afetos moventes.

Cássio Vasconcellos

Cássio Vasconcellos

São Paulo, Brasil, 1965. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Desde 2008, Vasconcellos desenvolve a série Coletivos, na qual reúne montagens feitas a partir de fotografias aéreas obtidas por ele. Over é um desdobramento dessa série. Tecendo comentários sobre a sociedade de consumo ao tornar visível o impacto da ação humana no mundo, o trabalho reúne imagens provenientes de diversos ferros-velhos do Brasil e do exterior. O artista recorta cada elemento, reunindo-os em uma grande composição. Emerge, então, uma imagem que habita o espaço entre a ficção e a realidade, colocando em discussão o papel documental do meio fotográfico. Over apresenta um cenário que, embora pareça apontar para um futuro distópico, reúne fragmentos do agora. A exagerada aglomeração denuncia como a ideia de descarte pode ser enganadora, tendo em vista que os objetos não deixam de existir quando os jogamos fora, mas passam a habitar outros lugares.

Denise Milan

Denise Milan

São Paulo, Brasil, 1954. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

A produção de Denise Milan tem na pedra o seu eixo criativo. Sua poética investiga por diferentes caminhos as histórias que o mineral é capaz de contar – não apenas a sua própria, mas a história da Terra, do nosso passado e do universo. Em TrincAr, a artista traz para o presente a história de 130 milhões de anos atrás, quando a movimentação das placas tectônicas provocou uma intensa atividade vulcânica que resultou no surgimento das extremidades dos continentes sul-americano e africano. No território do Rio Grande do Sul, naquele período, em meio à efervescência do magma, surgem ametistas, pedras que se formam em bolhas de ar. A instalação é composta por sete ametistas, cujo peso varia entre 14,6kg e 150kg, gipsitas e cristais, propondo uma imersão pela qual o visitante consiga ativar na sua memória a história de trauma, fuga e superação que se deu há tantos anos neste lugar da Terra.

Dora Smék

Dora Smék

Campinas, Brasil, 1987. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Corpo, movimento, contração, retenção e fluxo são elementos presentes no trabalho de Dora Smék, que desenvolve sua poética em linguagens como escultura, instalação, fotografia, vídeo e performance. Apresentando situações de adaptação do corpo em situações de tensão, a artista explora processos inconscientes que atravessam o corpo em busca de estratégias de existência, em um constante processo de ressignificação de si mesma. Nas obras Barra e Colo, Smék utiliza um molde de estrutura pélvica feminina, cujo ângulo de abertura é maior do que a da estrutura masculina. A pélvis feminina se amplia para a passagem da vida e se comprime pela pressão social. Já em Canibais, a artista apresenta um corpo constituído por sua própria base, composto pela cópia de um fêmur que se equilibra verticalmente sobre um cubo de ferro e é quase devorado por um tubo retorcido.

Gabriel de la Mora

Gabriel de la Mora

Cidade do México, México, 1968. Vive e trabalha na Cidade do México, México.

A poética de Gabriel de la Mora consiste em investigações exaustivas sobre as possibilidades físicas e conceituais dos materiais. Para a construção da obra 29,644 foram utilizadas 383 esferas de vidro soprado, dentro das quais foram inseridos 14.855 fragmentos convexos e 14.789 fragmentos côncavos. O resultado é uma obra que torna indistintas as fronteiras entre desenho, pintura e escultura. Cria-se uma pintura que não é pintura, um espelho estranho, que forma uma dislexia visual. O espectador depara-se com uma sequência de imagens repetidas com algumas diferenças, uma superfície com mosaicos irregulares, mas que mantém um caráter monocromático. Repetição e diferença, diferença e repetição: ainda que a imagem seja a mesma, cada fragmento cria uma imagem única e irreplicável.

Juliana Góngora Rojas

Juliana Góngora Rojas

Bogotá, Colômbia, 1988. Vive e trabalha em Bogotá, Colômbia.

A etimologia latina de recordar nos remete ao significado de “passar pelo coração”. Comparável ao acordar ou ao despertar de um sonho, Durmiendo cuando las plantas despiertan é uma instalação que convida o visitante a relembrar o que é essencial. O projeto nasceu em 2021, quando a artista desenvolvia outra obra e quis tecer com arruda, uma planta medicinal que promove a circulação sanguínea e que, nas antigas tradições da Colômbia, é muito valorizada por seu caráter regenerador e purificador. O tecer com arruda tornou-se metáfora da tentativa de limpar o sangue de um autoritarismo extremo que há anos se aloja na linhagem de sua família. Durmiendo cuando las plantas despiertan é composta por várias esteiras tecidas de arruda, folhas de bananeira, farinha de mandioca, macela, terra e outras plantas medicinais típicas do Brasil. No ato de tecer, a fibra é penteada, relembrando e ativando a memória de quando penteamos os cabelos em um ato de cuidado e carinho, um momento propício para iluminar os pensamentos e dar lugar ao que merece espaço.

Karola Braga

Karola Braga

São Caetano do Sul, Brasil, 1988. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

As conexões entre cheiros, palavras e memória são centrais na pesquisa poética de Karola Braga. O projeto Em suas mãos surpreende o visitante em um espaço inusitado: os banheiros dos espaços expositivos. Saboneteiras confeccionadas em latão são acompanhadas por sabonetes líquidos com diferentes aromas, que variam desde os mais familiares até os mais complexos, convidando o visitante a revisitar ou criar memórias. Já em Lágrimas, terra e crisântemo, um lençol é embebido em cheiro de luto – formado pelos aromas que dão título à obra – e, preso em um varal, libera seu aroma quando movimentado pelo vento. A artista inverte a ideia de assepsia relacionada a um lençol limpo, branco, secando no varal, provocando o visitante com o cheiro que dele se desprende.

Luzia Simons

Luzia Simons

Quixadá, Brasil, 1953. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha.

Em guerras e pandemias, rituais de luto são negados à maioria das pessoas. Milhões de pessoas morreram na pandemia da covid-19 sem que cerimônias de adeus pudessem ser realizadas. A obra de Luzia Simons é uma alusão aos símbolos florais tão utilizados nos rituais de boas-vindas e despedidas. Os tecidos, por razões históricas e culturais, correspondem a vestes em que se envolvem os corpos dos mortos. O mais pesado, o linho, remete à perseverança, e o mais leve, a seda, assemelha-se a um gesto da preciosidade da vida fugaz. As imagens impressas de flores escaneadas convertem o trabalho da artista em um envelope, assim devolvido como reconhecimento, apreço e recordação àqueles que, traumaticamente, desapareceram.

Lygia Clark

Lygia Clark

Belo Horizonte, Brasil, 1920 - Rio de Janeiro, Brasil, 1988.

Um dos nomes mais importantes da arte contemporânea brasileira, Lygia Clark é conhecida pelo público mais amplo por suas pinturas e esculturas. No final dos anos 1960, a atuação da artista foi marcada por inúmeras experimentações que envolviam os sentidos. A partir dessa prática, Clark desenvolveu, ao longo dos anos 1970, um conjunto de objetos relacionais, utilizados por ela em sessões de psicoterapia. A essa sistemática desenvolvida dentro de um contexto terapêutico, Clark nomeou como "A Estruturação do self". Na 13ª Bienal do Mercosul é criado um ambiente que se assemelha ao espaço no qual a artista realizava seus atendimentos, trazendo-se ao público trechos de registros de seus Casos Clínicos, nunca antes apresentados.

Marina Abramović

Marina Abramović

Belgrado, Sérvia, 1946. Vive e trabalha em Hudson, Nova York.

Marina Abramović é um dos grandes nomes internacionais da performance. Ao longo de sua trajetória, a artista explora o corpo tanto como tema quanto como meio, levando seu corpo aos limites físicos e mentais. Em suas obras, Abramović supera situações que envolvem dor, exaustão e perigo, em busca de uma transformação emocional e espiritual. Na videoperformance Seven Deaths, a artista sofre sete mortes prematuras na tela, tendo como trilha sonora sete árias interpretadas pela soprano Maria Callas. O interesse e encantamento de Abramović por Callas é antigo. O encontro com as obras da cantora lírica acabou sendo um momento culturalmente formador e transformador para a artista, que identifica a sua própria história de vida, com amores perdidos e experiências de quase morte, com a trajetória de Callas. Em Seven Deaths, Abramović encena sete mortes, embalada pela voz da soprano interpretando árias de óperas tão famosas quanto Madame Butterfly, de Puccini, Carmen, de Bizet, e Norma, de Bellini.

Martín Soto Climent

Martín Soto Climent

Cidade do México, México, 1977. Vive e trabalha em Tepoztlán, México.

Para Martín Soto Climent, a existência é um ciclo de energias transformadoras em que tudo surge de dualidades: fragilidade e força; masculinidade e feminilidade; sonho e realidade. Em sua produção artística, Climent busca a unidade e o equilíbrio, trabalhando com temas que emergem da intimidade e da condição humana mais profunda, rompendo aspectos do que podemos reconhecer como divindade. Em El luminoso revoloteo de la mariposa blanca, o artista busca descrever a diversidade, utilizando cores e formatos que revelam diferentes facetas de sua obra: as sensações corporais de energia e movimento que aparecem nas meias, a visualidade das cores que emergem das dobras e uma força suspensa como gesto de tensão.

Nico Vascellari

Nico Vascellari

Vittorio Veneto, Itália, 1976. Vive e trabalha em Roma, Itália.

Em sua prática, Nico Vascellari faz pontes entre mídias diversas, como performance, escultura e videoarte. Suas obras investigam principalmente a relação entre a natureza e o homem a partir de uma abordagem que visa a atingir e enredar-se com camadas sociais híbridas, estimulando o diálogo entre arte e público. O vídeo Visita interiora terrae foi gravado em 3 de agosto de 2020 na floresta de Cansiglio, no norte da Itália. A obra apresenta o artista em um sobrevoo que mistura sonho e realidade. Anestesiado por um médico, o artista, inconsciente, é amarrado a uma maca pendurada de um helicóptero que sobrevoa florestas e montanhas.

Lídia Lisboa

Lídia Lisboa

São Paulo, Brasil, 1970. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.


A obra Pé de meia é um desdobramento de um trabalho anterior de Lídia Lisboa, intitulado Cicatrizes, no qual uma mulher escreve sua história em um retalho e depois o amarra, o que faz com que ela se cure de miomas e de tristezas acumuladas na sua trajetória. Em Pé de meia, os arranjos de meias-calças, recheadas de meias usadas, também ganham nós e amarrações, mas revelam a necessidade de andar e viajar. Em torno da massa que forma a obra, percebe-se a organicidade das vísceras, pelas quais passam situações da vida. O trabalho lida com processos de cura pela caminhada e o deslocamento.

Tino Sehgal

Tino Sehgal

Londres, Inglaterra, 1976. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha.

Em This Element, Tino Sehgal utiliza samples de música pop e tons vibracionais que se relacionam com as frequências dos chacras. Entre os trechos escolhidos, há fragmentos de músicas da banda alemã Kraftwerk e da rapper estadunidense Missy Elliot. Esses elementos ajudam a passar de uma frequência para outra, alinhando os chacras e criando um estado meditativo para quem canta e é afetado pelas ondas sonoras. Para o artista, o ato de cantar não apenas conecta corpo, mente e alma, como também permite mostrar conexões mais profundas com nós mesmos e com o que nos cerca. Em tempos de individualismo, This Element reúne um grupo de pessoas a cada duas horas para fazer algo de forma coletiva, lembrando-nos que fazemos parte de algo muito maior do que a nossa própria existência.

Nico Vascellari

Nico Vascellari

Vittorio Veneto, Itália, 1976. Vive e trabalha em Roma, Itália.

Em sua prática, Nico Vascellari faz pontes entre mídias diversas, como performance, escultura e videoarte. Suas obras investigam principalmente a relação entre a natureza e o homem a partir de uma abordagem que visa a atingir e enredar-se com camadas sociais híbridas, estimulando o diálogo entre arte e público. O vídeo Visita interiora terrae foi gravado em 3 de agosto de 2020 na floresta de Cansiglio, no norte da Itália. A obra apresenta o artista em um sobrevoo que mistura sonho e realidade. Anestesiado por um médico, o artista, inconsciente, é amarrado a uma maca pendurada de um helicóptero que sobrevoa florestas e montanhas.

Vivian Caccuri

Vivian Caccuri

São Paulo, Brasil, 1986. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil.

Por meio de objetos, instalações e performances, as obras de Vivian Caccuri criam situações que desorientam a experiência diária e, por consequência, interrompem significados e narrativas aparentemente tão entranhadas como a própria estrutura cognitiva. A série Fantasma Roupa consiste em uma peça escultórica que deriva da pesquisa da artista sobre os mosquitos e, neste caso em particular, sobre a indumentária usada pelos colonizadores para se proteger das picadas. As esculturas ganham forma na metamorfose entre inseto e humano, criando um elemento interespecífico, um animal translúcido vindo do delírio febril, transformando proteção em exposição.Gilberto Gil (BR), Fausto Fawcett (BR), Wanlov (Ghana) e lançou seu projeto musical Homa em 2016. Seus trabalhos sonoros e composições já foram transmitidas em diversas rádios como Resonance FM (Londres), Kunstradio (Viena) e Mirabilis (Rio de Janeiro). Em Princeton escreveu o livro "O que Faço é Música", investigando os primeiros discos de vinil feitos por artistas plásticos no Brasil, publicado pela 7Letras e vencedor do Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música em 2013.

Panmela Castro

Panmela Castro

Rio de Janeiro, Brasil, 1981. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil.

O foco da poética de Panmela Castro é o que ela chama de "busca incessante de afeto”. No centro de sua produção estão as relações de alteridade e as questões ligadas ao sentimento de pertencimento. A artista desenvolve obras a partir de diferentes memórias, transitando pelas ruas como uma andarilha em um processo de deriva afetiva, em busca de novos vínculos e conexões com aquilo que a cerca e com a arte. Na Bienal, Castro apresenta uma série de cinco instalações de spray sobre espelho, espalhadas em diferentes espaços (Casa de Cultura Mario Quintana, MARGS e Cais). Mulher pioneira na pichação, prática até então majoritariamente masculina, a artista usa suas vivências para evocar a sensação de transgressão que cada um de nós carrega, com frases escritas na ausência de olhos julgadores. A pichação é deixada para os outros, ao passo que, por estarem escritas em espelhos, quem lê repete as frases para si mesmo.

Rabih Mroué

Rabih Mroué

Beirute, Líbano, 1967. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha.

Rabih Mroué trabalha com diferentes disciplinas e formatos, passeando entre artes visuais, performance, teatro, literatura, filosofia, teoria política e historiografia. Em suas obras, ele desafia as noções de verdade, de pesquisa e de fatos, criando obras de arte fictícias e transdisciplinares. Mroué pode ser considerado como um pioneiro da palestra-performance – ou “palestra não acadêmica”, como ele prefere chamá-la –, meio escolhido por ele para apresentar sua pesquisa artística. Seu trabalho pode ser entendido como uma forma de “reocupar” os contestados eventos político-históricos da Guerra Civil no Líbano. Ao interrogar a complicada relação entre memória individual e coletiva, revisitando a história oficial, ele combina a ficção artística com uma análise escrupulosa das realidades culturais, sociais e políticas.